ZENIT - O mundo visto de Roma

01/06/2011

São Justino - Filósofo e Mártir

Justino, filósofo e mártir, nasceu no princípio do século II, em Flávia Neápolis (Nablus), na Samaria, de família pagã. Tendo-se convertido à fé cristã,escreveu diversas obras em defesa do cristianismo; mas se conservam apenas as duas Apologias e o Diálogo com Trifão. Abriu uma escola de filosofia em Roma, onde mantinha debates públicos. Sofreu o martírio,juntamente com seus companheiros, no tempo de Marco Aurélio, cerca do ano 165.

Das Atas do martírio dos santos Justino e seus companheiros (Cap.1-5: cf.PG 6, 1566-1571) - (Séc. II)

Abracei a verdadeira doutrina dos cristãos

"Aqueles homens santos foram presos e conduzidos ao prefeito de Roma, chamado Rústico.Estando eles diante do tribunal, o prefeito Rústico disse a Justino: “Em primeiro lugar,manifesta tua fé nos deuses e obedece aos imperadores”. Justino respondeu: “Não podemos ser acusados nem presos, só pelo fato de obedecermos aos mandamentos de Jesus Cristo, nosso Salvador”.

Rústico indagou: “Que doutrinas professas?” E Justino: “Na verdade, procurei conhecer todas as doutrinas, mas acabei por abraçar a verdadeira doutrina dos cristãos, embora ela não seja aceita por aqueles que vivem no erro”.

O prefeito Rústico prosseguiu: “E tu aceitas esta doutrina, grande miserável?” Respondeu Justino: “Sim, pois a sigo como verdade absoluta”.

O prefeito indagou: “Que verdade é esta?” Justino explicou: “Adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos como único criador, desde o princípio, artífice de toda a criação, das coisas visíveis e invisíveis: adoramos também o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, que os profetas anunciaram vir para o gênero humano como mensageiro da salvação e mestre da boa doutrina. E eu, um simples homem, considero insignificante tudo o que estou dizendo para exprimir a sua infinita divindade, mas reconheço o valor das profecias que previamente anunciaram aquele que afirmei ser o Filho de Deus. Sei que eram inspirados por Deus os profetas que vaticinaram a sua vinda entre os homens”.

Rústico perguntou: “Então, tu és cristão?” Justino afirmou: “Sim, sou cristão”. O prefeito disse a Justino: “Ouve,tu que és tido por sábio e julgas conhecer a verdadeira doutrina: se fores flagelado e decapitado, estás convencido de que subirás ao céu?” Disse Justino: “Espero entrar naquela morada, se tiver de sofrer o que dizes. Pois sei que para todos os que viverem santamente está reservada a recompensa de Deus até o fim do mundo inteiro”.

O prefeito Rústico continuou: “Então, tu supões que hás de subir ao céu para receber algum prêmio em retribuição”? Justino respondeu-lhe: “Não suponho, tenho a maior certeza”.


O prefeito Rústico declarou: “Basta, deixemos isso e vamos à questão que importa, da qual não podemos fugir e é urgente. Aproximai-vos e todos juntos sacrificai aos deuses”. Justino respondeu: “Ninguém de bom senso abandona a piedade para cair na impiedade”. O prefeito Rústico insistiu: “Se não fizerdes o que vos foi ordenado, sereis torturados sem compaixão”. Justino disse: “Desejamos e esperamos chegar à salvação através dos tormentos que sofrermos por amor de nosso Senhor Jesus Cristo. O sofrimento nos garante a salvação e nos dá confiança perante o tribunal de nosso Senhor e Salvador, que é universal e mais terrível que o teu”. O mesmo também disseram os outros mártires: “Faze o que quiseres; nós somos cristãos e não sacrificaremos aos ídolos”.


O prefeito Rústico pronunciou então a sentença: “Os que não quiseram sacrificar aos deuses e obedecer ordem do imperador, depois de flagelados, sejam conduzidos para sofrer a pena capital, segundo a norma das leis”. Glorificando a Deus, os santos mártires saíram para o local determinado, onde foram decapitados e consumaram o martírio proclamando a fé no Salvador. "


Oração: Ó Deus, que destes ao mártir São Justino um profundo conhecimento de Cristo pela loucura da cruz, concedei-nos, por sua intercessão, repelir os erros que nos cercam e permanecer firmes na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!



23/05/2011

Encontro espacial do Papa promove aliança fé-ciência

Em uma conexão com a Estação Espacial, pede paz e respeito ao meio ambiente

CIDADE DO VATICANO, domingo, 22 de maio de 2011 (Zenit.org) - A conversa que Bento XVI teve nesse sábado com os astronautas da Estação Espacial Internacional serviu para ilustrar a necessidade de uma aliança entre fé e ciência a serviço da paz.

Uma paz, coincidiram tanto o Papa como a tripulação, que será promovida por um autêntico respeito ao meio ambiente e seus recursos, graças ao progresso da ciência e à responsabilidade que oferece a fé em Deus Criador, que deu ao homem o “planeta azul”.

Foi um acontecimento histórico, não só porque era a primeira vez que um bispo de Roma falava via satélite com astronautas no espaço, mas porque nesta ocasião, diferentemente do que sempre sucede, quem traçou o diálogo foi o próprio pontífice.

O Papa encontrava-se na Sala Foconi do Palácio Apostólico Vaticano, enquanto que na Estação Espacial se agruparam diante de uma câmara dois tripulantes.

No encontro, que aconteceu com motivo da última missão da nave espacial Endeavour, o Santo Padre podia ver os astronautas em uma TV. Já eles só podiam ouvir a voz do Papa.

A conversa baseou-se em cinco perguntas colocadas pelo Papa aos astronautas, sobre fé, ciência e ética, às quais intercalou referências afetuosas às vicissitudes familiares, em ocasiões dramáticas, de seus ouvintes no espaço exterior.

Em sua primeira pergunta aos astronautas, Bento XVI quis saber: “Quando vocês contemplam a terra daí de cima, perguntam-se como vivem aqui embaixo as nações e as pessoas ou como a ciência pode contribuir para a causa da paz?”

Mark Kelly respondeu que do espaço não se vêem fronteiras entre os países, que em muitas ocasiões foram motivo de violência, e que a dimensão científica da missão espacial poderia ser uma contribuição à paz.

“Na terra a gente briga por energia; no espaço, utilizamos a energia solar, e na estação espacial temos reservas de combustível – disse o astronauta –. A ciência e a tecnologia que aplicamos na estação para desenvolver a energia solar nos dá praticamente uma quantidade ilimitada de energia. E se algumas destas tecnologias pudessem se adaptar mais à Terra, talvez pudéssemos reduzir um pouco essa violência”.

O Papa sublinhou a “responsabilidade que todos temos ante o futuro de nosso planeta”, recordando “os sérios riscos enfrentados pelo meio ambiente e a sobrevivência das futuras gerações. Os cientistas nos dizem que devemos ter cuidado e que do ponto de vista ético temos de educar nossas consciências”.

O astronauta Ron Garan afirmou: “é indescritivelmente belo o planeta que nos foi dado”, mas “é frágil”.

O Papa perguntou aos astronautas se do espaço eles dirigiam sua oração a Deus. O astronauta italiano Roberto Vittori disse: “sim, rezo: rezo por mim, por nossas famílias, por nosso futuro”.

(Jesús Colina)

FONTE: ZENIT

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