ZENIT - O mundo visto de Roma

11/07/09

Novena de São Cristóvão - Festa dia 25 de julho



NOVENA SOLENE DE SÃO CRISTÓVÃO


RITOS INICIAIS

Cel.: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Cel.: Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, o amor de Jesus e a luz do Espírito Santo estejam sempre convosco.

T: Bendito Seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!

Cel.: Queridos irmãos, meditemos sobre a vida de São Cristóvão, nosso padroeiro e peçamos que como ele foi seguidor de Cristo, também nós o sejamos mesmo no meios das dificuldades nunca abandonemos a Deus pois ele nunca nos abandona!. Invoquemos o Espírito Santo:

T: Vinde, Santo Espírito, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado, e renovareis a face da terra.

Cel.: Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de suas consolações, por Cristo, Senhor Nosso. T.: Amém!

INVOCAÇÕES À PROTEÇÃO DE SÃO CRISTÓVÃO

(O celebrante reza as invocações e após cada uma, intercala-se com o refrão ou uma Ave Maria cantada).

1 – Celebrante

Ó Senhor, o glorioso mártir São Cristóvão, alma generosa que caminhou como gigante nos caminhos da virtude, até o extremo de confessar o seu batismo misturando o seu sangue ao precioso sangue de Cristo, nosso Redentor, confiados na eficácia de sua poderosa intercessão, nós vos rogamos que, nos livreis de todos os perigos e acidentes em todas as nossas viagens, e sobretudo, acompanhais no encontro derradeiro com Jesus que na Terra amamos, mostrando-nos assim, o caminho seguro da morada eterna. Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor. Amém.

Refrão: Feliz São Cristovão, Pois levas nos ombros criança que é vida: O próprio Senhor" (bis) (Ou Ave-Maria cantada)

2 – Celebrante

Ó Senhor, dai-me firmeza e vigilância nos muitos caminhos da vida, em busca de trabalho, lazer, felicidade e realização. Todos somos caminhantes nas estradas deste mundo; acompanhai-nos sempre para chegarmos ao destino sem acidentes e contratempos. Protegei os motoristas que conduzem os modernos meios de transportes. Que eles possam ser guiados por vossa luz, e assim ajam com sabedoria, respeitando as sábias leis de trânsito. Protegei, Ó Senhor, os jovens que dirigem e dai-lhes um coração sempre voltado à vida. Que possam descobrir vossa presença viva no mundo e respeitem a todos. Confortai as famílias que perderam pessoas queridas, vítimas de um trânsito cruel. Dai-lhes a esperança necessária para viverem em vossa presença, sem condenação ou rancor. E, que possam, Senhor, descobrir vossa presença na natureza e em tudo o que nos rodeia, amando assim cada vez maia a vida. Amém!

Refrão: Feliz São Cristovão, Pois levas nos ombros criança que é vida: O próprio Senhor" (bis) (Ou Ave-Maria cantada)

3 – Celebrante

Ó Senhor, que dissestes: "Quem vos recebe, a mim recebe"; e mais: "Quem não toma a sua cruz e me segue, não é digno de mim", fazei com que o bem-aventurado mártir São Cristóvão aumente em nós o amor de Vosso Nome, e tenhamos a felicidade de ver-nos em nossos irmãos no caminho da vida. Dai-me Senhor, firmeza e vigilância no volante, para que eu chegue ao meu destino sem acidentes. Protegei os que viajam comigo. Ajudai-me a respeitar a todos e a dirigir com prudência. E que eu descubra vossa presença na natureza e em tudo o que me rodeia. Por Cristo Nosso senhor. Amém.

Refrão: Feliz São Cristovão, Pois levas nos ombros criança que é vida: O próprio Senhor" (bis) (Ou Ave-Maria cantada)

LITURGIA DA PALAVRA

- Procissão e canto de aclamação do Evangelho

- Proclamação do Evangelho do dia

- Homilia

PRECES E LADAINHA:

Cel.: Invoquemos a proteção de Deus pela intercessão de São Cristóvão, nosso padroeiro:

Senhor, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós.

Deus Pai do Céu... Tende piedade de nós!

Deus Filho, Redentor do Mundo...

Deus Espírito santo...

Santíssima Trindade que sois um só Deus...

(Cantada a partir daqui, se possível)

São Cristovão, mártir de Cristo, Rogai por nós / São Cristovão, Servidor do Evangelho. Rogai por nós / São Cristovão, Servo obediente. Rogai por nós / São Cristovão, Amigo da caridade. Intercedei por nós.

São Cristovão, Desapegado de si próprio... / São Cristovão, forte servidor dos pobres e necessitados... / São Cristovão, que acreditastes no senhor sem ser visto... / São Cristóvão, que acolhestes Jesus na pessoa de uma criança...

São Cristóvão, que nos conduzistes para a outra margem... / São Cristóvão que nos apontastes um novo caminho... / São Cristóvão, humilde carregador de Cristo... / São Cristóvão, Servidor de Cristo Jesus...

São Cristóvão, que nos levais a Jesus... / São Cristóvão, intrépido campeão da fé cristã.../ São Cristóvão, que nos aponta uma nova realidade... / São Cristovão, solidário com os pequenos...

São Cristovão, servidor do Rei e Senhor... / São Cristovão, disponível ao serviço... / São Cristovão, generoso desprezador das seduções humanas... / São Cristóvão, que fostes modelo para conversão à Cristo...

São Cristovão, salvo das flechas assassinas... / São Cristóvão, modelo de força e coragem... / São Cristóvão, modelo de pureza... / São Cristóvão, modelo de caridade...

São Cristóvão, cheio de confiança em Deus... / São Cristóvão, terror dos espíritos infernais... / São Cristóvão, que preservastes os povos do flagelo da peste... / São Cristóvão, protetor dos terremotos...

São Cristóvão, padroeiro dos motoristas... / São Cristóvão, guia dos viajantes... / São Cristóvão, porto dos náufragos... / São Cristóvão, atento a todos os que vos invocam...

São Cristóvão, exemplo para a Igreja... / São Cristóvão, reflexo do amor de Deus para os homens... / São Cristóvão nosso intercessor... / São Cristóvão nosso modelo e padroeiro...

Oremos:

Ó São Cristóvão, que atravessastes a correnteza furiosa de um rio com toda a firmeza e segurança, porque carregastes nos ombros o Menino Jesus, fazei que Deus se sinta sempre bem em meu coração, porque então eu terei sempre firmeza e segurança na condução da minha vida e enfrentarei corajosamente todas as correntezas que eu encontrar, venham elas dos homens ou do espírito infernal. Rogai por nós, São Cristóvão! Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém!

T. Amém.

LITURGIA EUCARISTICA

- Ofertório

- Pai nosso

- Rito da comunhão (se houver)

RITOS FINAIS

Hino do padroeiro

Avisos

Bênção:

Cel.: O Senhor esteja convosco T.: Ele está no meio de nós!

Cel.: Abençoe-nos Deus todo Poderoso Pai e Filho e Espírito Santo. Amém!

Cel.: A alegria do Senhor seja a vossa força, ide em paz e o Senhor vos acompanhe! T.: Graças a Deus!

Canto do Padroeiro:

1. Servidor eras tu só da morte, Nem sabias quem era Jesus, E ao buscares um reino mais forte, Deus te deu o serviço da Cruz!

Nas águas profundas Os fracos carregas, Agora de todos Fiel servidor! Feliz São Cristovão, Pois levas nos ombros Criança que é vida: O próprio Senhor" (bis)

2. Um cristão Deus te fez de verdade, Tão disposto a viver só no bem, E teu nome já diz, na humildade, Que transportas o Cristo também!

3. Condutores nos passos da vida, Sempre aqui tu proteges na paz, E lhe mostras na cruz a medida: Amor puro limites não traz!

4. Tua força fez vidas felizes, E o martírio exaltou tua voz! Hoje e sempre ao Senhor, que bendizes, Roga, pois, São Cristovão, por nós!

Quem foi São Cristóvão ?

Antes do batismo, chamava-se Réprobo, porém, depois, se chamou Cristóvão, que é o mesmo que dizer aquele que carrega Cristo, pois ele carregou Cristo em seus ombros, transportando-o e guiando-o; em seu corpo, tornando-o esquálido; em sua mente, pela devoção; e em sua boca, confessando-o e pregando a sua mensagem.

Cristóvão era de linhagem Cananéia, de estatura elevada e ereta, rosto feio e aparência assustadora.

Era muito alto, e lemos em algumas histórias que, quando estava a serviço do rei de Canaã, veio-lhe à mente procurar o maior príncipe existente no mundo e a ele servir e obedecer.

Foi muito longe na sua procura, que encontrou um legítimo grande rei, cuja fama era de que seria o maior do mundo. E quando este rei o viu, tomou-o para o seu serviço e o fez habitar em sua corte.

Certa vez, um menestrel cantou perante ele uma canção na qual citava constantemente o demônio, e o rei, que era um homem cristão, ao ouvi-lo mencionar o demônio, traçou o sinal da cruz em sua fronte.

Quando Cristóvão viu isso, ficou curioso em saber que sinal seria aquele e para que o rei o fizera, e lhe perguntou isso. E por que o rei não lhe queria responder, ele disse: Se não me disserdes, não mais habitarei convosco. Então o rei lhe explicou, dizendo: Sempre que ouço mencionarem o demônio, temo que ele possa ter poder sobre mim, e eu me previno contra ele com este sinal, a fim de que não me faça mal e não me perturbe.

Cristóvão lhe disse: - Temeis que o demônio vos possa fazer mal? Então, o demônio é mais poderoso e maior do que vós. Por isso, fui enganado em minha esperança e em meu plano, pois supunha ter encontrado o maior e o mais poderoso senhor do mundo, mas eu vos recomendo a Deus, porque vou procurá-lo para que seja o meu senhor, e eu, o seu servo.

Em seguida, se despediu daquele rei e apressou-se a ir em busca do demônio. E quando passava por um grande deserto, avistou um grande séqüito de cavalheiros, no meio dos quais se destacava um cavalheiro cruel e horrível que, aproximando-se dele, lhe perguntou qual era o seu destino, e Cristóvão, respondendo, disse-lhe: - ‘Estou à procura do demônio, para que seja o meu senhor’.

E ele lhe respondeu: ‘Eu sou quem procuras’. Então, Cristóvão ficou contente, pediu-lhe para ser seu servo perpétuo e o tomou como seu mestre e senhor. E indo os dois juntos pelo mesmo caminho, encontraram nele uma cruz erguida. O demônio, ao avistar a cruz, logo ficou apavorado e fugiu, deixando o caminho, e fazendo um grande desvio, fez Cristóvão passar por um deserto árido. Mais tarde, quando já haviam contornado a cruz, reconduziu-o ao caminho principal que haviam deixado.

Quando Cristóvão perguntou por que hesitara e abandonara o caminho principal e limpo e entrara num deserto assim tão árido, o demônio não quis lhe explicar de forma alguma. Então, Cristóvão lhe disse: ‘Se não me disseres, separar-me-ei imediatamente de ti e não mais te servirei’. Ao que o demônio se viu obrigado a contar, dizendo-lhe: ‘Havia um homem chamado Cristo que foi suspenso numa cruz, e, quando vejo o seu sinal, fico apavorado e fujo dele, onde quer que o veja’.

Cristóvão disse-lhe: ‘Então, ele é maior e mais poderoso que tu, já que tens medo do seu sinal, e eu, agora, por não ter encontrado o maior senhor do mundo, compreendo bem que trabalhei em vão. E eu não mais servirei a ti; segue, pois, teu caminho, pois eu vou à procura de Cristo’.

E após ter, durante muito tempo, procurado e perguntado onde poderia encontrar Cristo, finalmente, chegou a um grande deserto, até onde habitava um eremita, e este lhe falou de Jesus Cristo e o instruiu diligentemente na fé e lhe disse: ‘Este Rei a quem desejas servir pede o serviço de jejuares muitas vezes’.

Cristóvão lhe disse: “Pede de mim qualquer outra coisa, que eu a farei, pois o que me pedes eu não farei”. E o eremita lhe disse: ‘Então, deves vigiar e orar constantemente’. E Cristóvão lhe disse: ‘Não sei o que isto seja. Não farei tal coisa’.

Então o eremita lhe disse: ‘Conheces aquele rio assim e assim, onde muitos pereceram e se perderam?’ Ao que Cristóvão respondeu: ‘Conheço-o muito bem’. Então lhe disse o eremita: ‘Como és de estatura nobre, elevada e forte em teus membros, deves morar perto daquele rio, e transportarás pelo mesmo todos quantos por ele precisarem passar, o que será algo muito agradável a Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem desejas servir, e eu espero que Ele se mostrará a ti’.

Então disse Cristóvão: ‘Sem dúvida, este serviço eu posso muito bem executar, e eu prometo a ele que o farei’. Em seguida, foi até aquele rio e lá construiu uma morada para si e carregava nas mãos uma grande vara, à guisa de bastão, para se apoiar dentro da água, e assim transportava toda sorte de pessoas, sem parar. E lá habitou, executando esse trabalho, durante muitos dias.

Certa vez, quando dormia em sua choupana, ouviu uma voz de criança que o chamava e dizia: ‘Cristóvão, sai de dentro e vem carregar-me até a outra margem’. Então, levantou-se e saiu, porém não viu ninguém. E voltando de novo para dentro da casa, ouviu a mesma voz, correu para fora e não avistou ninguém. Pela terceira vez, foi chamado e, saindo, viu uma criança à beira do rio, que lhe pediu por favor que o transportasse para a outra margem.

Cristóvão pôs aquela criança aos ombros, apanhou o bastão e entrou no rio para atravessá-lo. A água do rio começou a subir e o volume aumentava cada vez mais; e a criança pesava como chumbo, e a cada passo que dava rumo ao centro do rio, a água aumentava e crescia cada vez mais, e a criança tornava-se mais pesada ainda, a tal ponto que Cristóvão ficou muito angustiado e temia vir a afogar-se. Por fim, conseguiu escapar daquela situação com grande esforço, fez a travessia e colocou a criança no chão, e disse a ela: ‘Menino, puseste-me num grande perigo; pesas tanto como se tivesse o mundo sobre os meus ombros: não poderia carregar um peso maior’.

O menino respondeu: ‘Cristóvão, não te espantes, pois não só carregaste o mundo inteiro em teus ombros, como também carregaste Aquele que criou e fez o mundo inteiro. Eu sou Jesus Cristo, o Rei, a quem serves neste mundo. E para que saibas que digo a verdade, põe teu bastão no chão, junto à tua casa, e amanhã verás que ele estará coberto de flores e de frutos’. E desapareceu de repente de sua vista. Então, Cristóvão colocou o bastão na terra, e, quando levantou de manhã, encontrou-o parecido com uma palmeira, carregado de flores, folhas e tâmaras.

Então, Cristóvão se dirigiu até a cidade de Lícia e não conseguia entender a linguagem de seus habitantes. Orou ao Senhor, para que fizesse com que pudesse entendê-los. E enquanto estava rezando, os juízes pensavam que estivesse louco, e o deixaram lá sozinho. Finalmente quando Cristóvão pôde entender o que diziam, cobriu o semblante e foi até o lugar onde costumavam martirizar os cristãos, e os confortou em nome do Senhor.

Então, os juízes bateram-lhe na face, e Cristóvão lhes disse: ‘Se eu não fosse cristão, eu vingaria esta ofensa’. Cristóvão arremessou o seu bastão no chão e pediu ao Senhor que, para converter aquelas pessoas, ele devia se cobrir de flores e de frutos. E logo assim foi o que sucedeu. Nesta ocasião, converteu oito mil pessoas. E o rei enviou dois cavaleiros para que o trouxessem, e o encontraram orando, e não ousaram lhe interromper. Logo em seguida, o rei mandou muitos outros cavaleiros que logo se puseram a rezar com ele. Quando Cristóvão se ergueu, disse a eles: ‘O que procurais?’ E ao verem o seu semblante, lhe disseram: ‘O rei nos mandou aqui, a fim de amarrá-lo e conduzi-lo até ele’.

Cristóvão lhes disse: ‘Se eu quisesse, não poderíeis me levar até ele, amarrado ou solto’. E eles disseram: ‘Se quiseres seguir o teu caminho, vai livre, para onde quiseres. E nós diremos ao rei que não te encontramos’. ‘Assim não será’, disse-lhes ele, ‘eu irei convosco’. Então, ele os converteu à Fé, e ordenou-lhes que deviam lhe atar as mãos às costas e conduzi-lo assim amarrado à presença do rei.

Quando o rei o avistou, ficou apavorado e caiu do trono. E os servos o ergueram novamente. Então, o rei perguntou pelo seu nome e pela sua pátria. Cristóvão lhe respondeu: ‘Antes de ser batizado, eu me chamava Réprobo, e depois, eu sou Cristóvão; antes do batismo, um cananeu; agora um cristão’. Ao que disse o rei: Tens um nome tolo, isto é, o nome de Cristo crucificado, que não conseguiu livrar-se e não pode ser-te útil. Como, pois, maldizes os cananeus, por que não sacrificas aos nossos deuses?’

Cristóvão respondeu-lhe: ‘Com razão te chamas Dagnus, pois és a morte do mundo e o companheiro do demônio, e os teus deuses são obras de mãos humanas’. E o rei lhe disse: ‘Foste alimentado entre animais selvagens e por isso só podes falar uma linguagem rude e palavras desconhecidas dos homens. E agora, se quiseres sacrificar aos deuses, dar-te-ei grandes presentes e grandes honrarias, e se não quiseres, destruir-te-ei e acabarei contigo, no meio de grandes sofrimentos e torturas’. Apesar de tudo isso, Cristóvão não se dispôs, de forma alguma, a sacrificar, por isso foi mandado para a prisão, e o rei mandou decapitar os outros cavaleiros que havia mandado buscá-lo, e a quem ele convertera.

Em seguida, o rei mandou levar para dentro da prisão de Cristóvão duas mulheres bonitas, uma das quais se chamava Nicéia e a outra Aquilina, e prometeu a elas grandes presentes caso conseguissem fazer com que Cristóvão pecasse com elas.

Quando Cristóvão notou isso, prostrou-se em oração, e ao ser forçado por elas, que o abraçaram para que se resolvesse a agir, ele se ergueu e disse: ‘O que procurais? Para que fim aqui viestes?’ Elas, ficando assustadas com seu aspecto e com a expressão clara do seu semblante, disseram: ‘Ó santo de Deus, compadecei-vos de nós, a fim de que creiamos neste Deus que pregais’. E quando o rei ouviu isso, ordenou que as duas fossem retiradas de lá e trazidas à sua presença. E lhes disse: ‘Fostes enganadas. Mas conjuro-vos pelos meus deuses que, se não sacrificardes a eles, sereis imediatamente castigadas com uma morte horrível’. E elas lhe disseram: ‘Se quiserdes que sacrifiquemos, ordenai que o lugar fique livre e que todas as pessoas se reúnam no templo’.

Quando isso foi feito, elas entraram no templo, tomaram os cintos e os colocaram em volta do pescoço dos deuses e os arrastaram até o chão, e os fizeram em pedaços. E disseram aos que estavam presentes: ‘Chamai os médicos e os que trabalham com sanguessugas para que curem os vossos deuses’. Então, por ordem do rei, Aquilina foi enforcada, e uma enorme pedra foi amarrada e suspensa aos seus pés, de modo que os seus membros foram quebrados de modo horrível. E quando estava morta e passou para o Senhor, sua irmã Nicéia foi atirada a uma grande fogueira, porém ela conseguiu sair ilesa, intacta. Então eles mandaram decepar-lhe a cabeça à força e assim sofreu a morte.

A seguir, Cristóvão foi trazido à presença do rei que ordenou a sua tortura com varas de ferro e colocada em sua cabeça uma cruz de ferro em brasa. Em seguida, colocou Cristóvão amarrado dentro de um recipiente de ferro, com o fogo por baixo, e o enchessem de piche. Mas o recipiente se derreteu como cera, e Cristóvão saiu sem qualquer ferimento ou queimadura. Ao ver isso, o rei ordenou que fosse amarrado a um poste resistente e fosse crivado de flechas por quarenta arqueiros. Contudo, nenhum daqueles arqueiros conseguiu acertá-lo, pois as flechas ficavam imóveis no ar, próximas a ele, sem tocá-lo. Então o rei, imaginando que tivesse sido atravessado pelas flechas dos arqueiros, dirigiu-se até ele para ficar bem perto. E uma das flechas, virando-se repentinamente no ar, atingiu-o num dos olhos, deixando-o cego.

Cristóvão disse-lhe: ‘Tirano, vou morrer amanhã. Fazei um pouco de lama misturada ao meu sangue e ungi com ela vosso olho e sereis curado’. Então, à ordem do rei, ele foi levado para que lhe cortassem a cabeça. Fez a sua oração, e a cabeça lhe foi decepada, e assim sofreu o martírio. E o rei então pegou um pouco do seu sangue misturado à lama e o colocou na vista, e logo ficou curado.

Então o rei acreditou em Deus e em São Cristóvão.

Esta é a história de S. Cristóvão, extraída da Legenda Áurea, da forma como foi traduzida para o inglês, uma história conhecida em toda a cristandade, tanto no Oriente como no Ocidente.

Dela surgiu a crença popular de que todo aquele que contemplasse uma imagem do santo naquele dia não sofreria mal algum: crença essa que foi responsável pela colocação de grandes estátuas e afrescos que o representavam na parte oposta à entrada das igrejas (algumas das quais ainda existem em nosso próprio país), de forma que todos os que entrassem pudessem vê-la.

Ele é o santo padroeiro dos viajantes, sendo invocado contra os perigos representados pelas águas, tempestades e pragas. E, em épocas mais recentes, encontrou uma popularidade renovada como padroeiro dos motoristas.

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